Ouvi falar da abordagem inclusiva pela primeira vez numa conferência em Bristol e fiquei surpreendida. Na Ucrânia, «inclusão» significa normalmente acesso ao ensino comum para pessoas com deficiência, e era assim que eu a entendia. Depois ouvi um significado completamente diferente: inclusão como igualdade de acesso para todos, independentemente da língua, idade, estatuto, experiência anterior ou país de origem.
E percebi que há muito tempo criava produtos inclusivos. Só não lhes dava esse nome.
Todos podem compreender
Nunca me importou a formação ou a profissão de quem estuda comigo. Apresento a matéria de forma que todos a possam compreender. E se não for à primeira, podem repetir o curso as vezes que precisarem, sem custo adicional.
O dinheiro nunca foi o objetivo do meu trabalho. Cheguei a pensar em tornar o curso gratuito. Mas a experiência mostrou que quem tinha acesso gratuito muitas vezes não chegava ao fim, porque a verdadeira educação é uma escolha consciente, não um gesto ao acaso. Não vendo vídeos. Acompanho as pessoas ao longo do caminho, por isso é importante para mim que estejam prontas para o percorrer.
A minha maior alegria não é o lucro. É quando um aluno arranja emprego, abre um negócio ou simplesmente diz: «Voltei a acreditar em mim.»
Na sua própria língua
O meu primeiro curso verdadeiramente inclusivo, no sentido britânico, foi criado em ucraniano para contabilistas ucranianos que tinham chegado ao Reino Unido. O resultado foi incrível: muitas pessoas compreenderam pela primeira vez a estrutura da contabilidade britânica, outras puderam finalmente aproveitar a sua experiência e algumas abriram o próprio negócio.
Agora estudo inglês num college ao lado de refugiados da Síria, do Irão e do Afeganistão. Vejo como é difícil para eles. E pensei: se dei uma vantagem aos ucranianos ao explicar a matéria na língua materna, porque não fazer o mesmo pelos outros?
Foi assim que nasceu a ideia de traduzir os cursos. Procurei recursos, pessoas e voluntários. Uma das primeiras línguas que acrescentei foi o polaco, como sinal de gratidão ao povo polaco pelo apoio aos ucranianos. Depois o árabe, o persa e o inglês.
Desde criança que me lembro da história da Torre de Babel: as línguas foram confundidas, as pessoas deixaram de se entender e nunca chegaram ao céu. E penso muitas vezes: e se fosse diferente? E se voltássemos a entender-nos, pelo menos através da linguagem da educação? Talvez todos conseguíssemos subir um pouco mais alto.
E se voltássemos a entender-nos, pelo menos através da linguagem da educação? Talvez todos conseguíssemos subir um pouco mais alto.


